Crescimento de franquias baratas exige planejamento

Há cerca de dois anos, as franquias baratas de até 50 mil reais de investimento, também chamadas microfranquias, praticamente não tinham representatividade no faturamento das redes brasileiras.

Nesta faixa de investimento, só 3 marcas estão no mercado há mais de 20 anos. O setor cresceu e hoje representa 17% do total de marcas e 4% do faturamento do setor, ou seja, 3,7 bilhões de reais, segundo os dados mais atualizados da Associação Brasileira de Franchising (ABF).

São 336 marcas oferecendo microfranquias, que faturam, em média, 30 mil reais.

 

Hoje, quase 30% das marcas têm até 2 anos de vida. A divisão por segmento não é tão diversa e mais da metade das redes se concentra em quatro áreas:

  • Educação
  • Serviços
  • Informática
  • Beleza

 

Com o crescimento, a ABF criou inclusive um Comitê de Microfranquias, em setembro do ano passado, para organizar e desenvolver o setor. “Esse é um mercado crescente. Temos em operação 12 560 microfranquias, a maioria de serviços, que geram 37 mil empregos diretos”, diz Ricardo Camargo, diretor executivo da ABF.

Para muitos empreendedores, essa categoria mostrou ao mercado que franquia pode ser negócio para quem não tem milhões a investir. É o caso de Roberta Castro, dona de uma unidade da Praquemarido e máster franqueadora da Multicanalidade, duas microfranquias da holding SMZTO. “O mais importante foi a satisfação de ter um negócio que iria me trazer um retorno profissional. Eu fiquei bastante tempo fora do mercado e quando voltei achei que seria bacana ter um negócio próprio”, diz Roberta.

Durante o boom destes negócios, Marcelo Gomes Rodrigues também arriscou investir e comprou uma unidade da Dr. Faz Tudo, no Rio de Janeiro. “Eu sempre quis ter o meu próprio negócio. Eu tinha uma lan house, mas não deu certo. Fiz uma pesquisa de mercado e vi que o mercado de construção civil estava em alta”, conta Rodrigues. Com 25 mil reais, ele começou a atuar em um mercado totalmente novo. “Foi atrativo ser barato e eu pude refinanciar meu carro. O valor é muito bom, mas é um serviço que precisa 100% de você”, diz.

Na maior parte dos casos, as franquias baratas não exigem ponto comercial, por isso, os franqueados instalam a unidade em casa mesmo. O empreendedor tem, muitas vezes, uma rotina parecida com a de microempresários ou profissionais autônomos. “O dia-a-dia não é uma coisa tranquila. É muito correria, é acelerado”, diz Roberta.

Rodrigues conta que já teve o retorno do seu investimento, mas que não pode descuidar do negócio um só minuto. “A mão de obra é cara e, por sermos uma empresa, temos muitos impostos a pagar”, diz. Por isso, é importante que o franqueado saiba que vai fazer sozinho muitas tarefas. “Ele vai conduzir pessoalmente e executar as tarefas porque é difícil montar uma equipe”, opina Marcos Nascimento, presidente da Cia de Franchising.

A microfranquia serve para você?

O primeiro cuidado para quem deseja adquiriri uma microfranquia, indicado por especialistas é analisar o próprio perfil. “A principal recomendação é a pessoa fazer uma auto avalição para saber se ela tem um perfil para microfranqueado. É uma típica franquia de prestação de serviços, para trabalhar sozinho, home based e ele tem que vender e entregar o serviço”, diz André Friedheim, diretor da Francap. Motivação é um ponto crucial para se dar bem neste negócio. “Você precisa ter uma motivação muito grande, uma veia comercial muito forte e uma capacidade financeira”, complementa.

Além disso, é preciso estar pronto para trabalhar sozinho, mas seguir as regras da franqueadora. “O aspecto pessoal é importante. O candidato deve estar motivado para entrar no negócio e seguir as regras do contrato de franquias”, opina Claudia Bittencourt, diretora geral do Grupo Bittencourt. Outro ponto importante é verificar o território de atuação. “Tem que estar muito claro para o franqueado se existe e qual é o seu território”, diz Friedheim.

Conhecer a marca é crucial

Avaliar quem está por trás do negócio deve ser o ponto de partida para evitar problemas no futuro. “Saiba quem é a franqueadora e o quanto ela está capacitada para apoiar o franqueado. Por ser algo que está muito na moda, precisa ver a partir de qual experiência ela projetou esse negócio, se já tem franquia e se está dando resultado”, ensina Claudia.

Aspectos como a definição da área de trabalho devem ser perguntados para a franqueadora e fazem parte de um processo para conhecer a marca. “Em primeiro lugar, o candidato deve fazer uma leitura detalhada do contrato para saber que tipo de suporte o franqueador oferece. Como o negócio é de baixo investimento, às vezes, as pessoas não dão tanto valor para o dinheiro. Para o franqueador pode ser pouco, mas para o franqueado pode ser a economia de uma vida”, explica Camargo, da ABF.

Além disso, o franqueador deve dar informações sobre o negócio, desde qual o seu papel na operação até a parte financeira. “Tem algumas franquias que não definem o que o franqueado tem que fazer, se ele vai ter que ir atrás do cliente, o tipo de suporte e o que cada um deve fazer”, diz Camargo.

Para Claudia, a análise das contas é indispensável para projetar expectativas para o investimento. “Avaliar muito bem a parte financeira para saber se ele vai ter condições de gerar resultados e que tipo de apoio a franqueadora vai dar para alavancar esse negócio, como treinamento de vendas”, afirma.

O franqueador fornece essas informações e cabe ao franqueado avaliar o material e conversar com quem já faz parte da rede para conhecer melhor o negócio.

Baixo investimento, baixo retorno?

Depois de olhar as finanças da franqueadora, é hora de pensar no próprio bolso. “Investimentos pequenos correspondem a resultados pequenos. Não adianta escolher pelo baixo custo, porque vai ter resultados equivalentes ao investimento”, alerta Nascimento.

Por isso, a proposta de ter o negócio próprio por 50 mil reais pode ser tentadora, mas precisa ser analisada com calma, na opinião dos especialistas. “Investimento na faixa de 30 mil reais são franquias que completam a receita e dão até 3 mil reais de resultado. Não pode entrar com expectativa errada de ganho”, reforça Claudia.

Outro fator importante é entender o risco das microfranquias. “Muitos empreendedores entram neste negócio por ser barato, pela empolgação e pela leitura errada de que o risco é menor porque está investindo menos. Às vezes, tem retorno melhor se não entrar na franquia”, diz Friedheim.

Fonte: Portal Exame

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