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junho 30, 2011 publicado por Empreendedor Online

A miopia do empreendedorismo

   

A miopia do empreendedorismo

Nos últimos anos muito se tem falado, escrito e, sobretudo, discursado sobre as virtudes do empreendedorismo. No Brasil de hoje, o tema é, quase, uma obsessão. Quem promove as virtudes está “in”. Quem não foi contagiado pela febre do empreendedorismo está, definitivamente, “out”. Para empresários e governo, o empreendedorismo é a prioridade nacional.

Basta uma consulta no Google para ter uma ideia da miríade de projeto realizados por todo o país, assim como da diversidade de feiras e eventos para promover o empreendedorismo. A obsessão é tal que até é prescrito como panacéia para resolver o problema do desemprego. As promessas de cura milagrosa, que muitos apregoam, levam a pensar que estamos perante verdadeiros “curandeiros do empreendedorismo”.

Para compreender melhor este fenômeno é necessário analisar o primeiro pecado capital do empreendedorismo: a miopia. Alguém acredita que todos temos capacidade para cantar? Quem vê o programa Ídolos na televisão facilmente percebe que a esmagadora maioria dos candidatos não tem os requisitos mínimos para fazer carreira na música e ganhar a vida como cantor. Mesmo que gastem rios de dinheiro nas melhores escolas do mundo, estas nunca conseguirão dotá-los das capacidades que fazem os grandes cantores. O que temos visto no programa Ídolos, por exemplo, é que aqueles que têm talento rapidamente se destacam da multidão. Como escreveu Rubem Alves, um bom pianista não precisa de fazer força para tocar pois tem o piano dentro dele, desde o nascimento. Quem, como eu, não nasceu com o piano dentro, cedo descobre que o piano nunca passará de uma prótese. Nunca conseguirá colocar para fora um piano que não existe. Mais, nenhuma prótese resolverá a falta de talento.

Em outras áreas, como nos esportes, acontece o mesmo. A estratégia dos grandes clubes de futebol é identificar talentos nas camadas mais jovens e desenvolve-los para se tornarem profissionais de excelência, como aconteceu com Ronaldo Fenômeno, Robinho, Nilmar e tantos outros. Também no ensino, em especial nas grandes escolas de artes e universidades de prestígio, o processo de seleção dos alunos visa selecionar os que têm talento.

O empreendedorismo exige vocação

Se, regra geral, o talento é o ingrediente base, então porque nos tentam fazer crer que, no que toca ao empreendedorismo, não é preciso talento? Todos nós podemos ser empreendedores. Todos temos talento para criar empresas, criar riqueza e alcançar o sucesso. Será que os “curandeiros do empreendedorismo” acreditam mesmo em tamanha mentira ou sofrem, pura e simplesmente, de miopia, uma doença que lhes permite ver com nitidez as vantagens do empreendedorismo mas os impede de enxergarem as suas inúmeras desvantagens, o que pode ter efeitos extremamente nefastos.

Por outro lado, a promoção de empreendedorismo assenta na noção de que a realização pessoal está estreitamente ligada à ideia de criar uma empresa. Atingir a realização profissional a trabalhar por conta de outrem é um cenário que os arautos do empreendedorismo nem colocam. Assim, não é de estranhar que cresça na sociedade contemporânea a tendência para endeusar os empresários de sucesso, enaltecer as suas características empreendedoras e apontá-los como os exemplos a seguir.

O problema é que esses arautos omitem, deliberadamente, a outra face (negra) do empreendedorismo. Há um silêncio ensurdecedor sobre as falências, que constituem uma maioria absoluta, e os inúmeros suicídios dos empreendedores mal sucedidos. Verdade seja dita, para Alain de Botton, “a possibilidade de se chegar hoje em dia ao pináculo da sociedade capitalista é tão só marginalmente maior do que as hipóteses de se ser aceite no seio da nobreza francesa de há quatro séculos”. Segundo este famoso filósofo, o campo do empreendedorismo requer “uma síntese de imaginação e realismo dolorosamente invulgar” ou, por outras palavras, de um talento extremamente raro. “Qualquer idiota pode ter uma boa ideia, mas apenas algumas mentes brilhantes possuem a capacidade para estabelecer um negócio lucrativo”.

Para o comprovar, Botton refere o exemplo paradigmático de um investidor de risco que analisa anualmente 2.000 projetos para decidir investir em 10. Destes, ao fim de 5 anos, 4 já faliram, 4 estão no “ciclo de cemitério” e apenas 2 geram lucros significativos. O resultado de 0,1% de taxa de sucesso fala por si. A lição é evidente: não podemos promover o empreendedorismo, recorrendo ao exemplo de meia dúzia de empreendedores de sucesso, que são uma minoria residual, e “vender a ilusão” de que todos podemos empreender com o mesmo sucesso.

Neste contexto, a pergunta óbvia é: então, porque incentivamos milhares de pessoas sem talento a criar o seu negócio? Porque encorajamos essas pessoas a não desistir e os financiamos para se atirarem do “penhasco das realizações empresariais”, quando é evidente que cairão no fundo? Para quem tiver dúvidas, uma breve leitura dos planos de negócio dos novos empreendedores será suficiente para perceber que, regra geral, estão escritos num “subgênero da ficção contemporânea”. As descrições dos produtos, dos serviços e dos consumidores são uma ficção, sem qualquer sustentação na realidade do mercado, um erro que, mais tarde ou mais cedo, será punido com o encerramento da atividade.

Com uma mortalidade tão elevada quanto a observada no Brasil, incentivar o empreendedorismo sem corrigir a miopia de visão dos promotores faz lembrar os piro maníacos que ateiam os fogos pelo mero prazer de ver o seu poder destruidor. Parece que querem assistir à “beleza heróica da destruição do capital e da esperança, em consequência das atividades do empresário”, como escreve Botton. Como acontece com as bulas dos medicamentos, também no empreendedorismo, a promoção deve referir as indicações e as contra-indicações, ou seja os casos em que o empreendedorismo não deve ser prescrito. Decididamente, não se pode continuar a promover o empreendedorismo, fazendo crer que a exceção é a regra e que tudo será cor-de-rosa.

Por Vitorino Seixas

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30 Comments

  • Olá, Vitorino.

    Acho bastante impreciso dizer que o empreendedorismo é um “talento de dentro”, algo que a pessoa precisa ter inatamente. O talento depende de aspectos natos várias vezes (especialmente em esportes, por exemplo), mas também de motivação, vontade e fatores culturais – ele não se faz no vácuo, e ambiente, criação, desejos etc. podem gerar pessoas talentosas.

    De resto, seu texto foi excelente e tocou num ponto que passa batido frequentemente. Acredito que o empreendedorismo é algo muito valioso de se incentivar, mas não é para todos e certamente não é justo menosprezar quem não tem este perfil. Pior ainda é ver empreendedores caçoando de gente sem este perfil – isto é, de seus próprios empregados! Ante o ridículo da situação, tentam criar conceitos de “empreendedorismo dentro da empresa”, em que o empregado é “empreendedor” por ser mais motivado – especialmente com salários baixos. Seu artigo vem em boa hora e é muito pertinente para começarmos a rever este tipo de visão messiânica – que arrisca chegar à caça às bruxas.

    Até!

  • Oi, achei a comaparação com a questão musical equivocada. Quem é da area sabe muito bem que a questão da aptidão musical é bem complexa e não se restringe dom, talento, essas coisas.
    O processo de formação musical é longo, e sim, uma pessoa, se esta estudar, cantará afinado sim senhor, e conseguirá viver de música. É obvio que existem pessoas com mais facilidades para o aprendizado musical, mas estas se não estudarem tanto quanto quem não tem, ficarão mediocres musicalmente.

    Abs

  • Me desculpe a sinceridade, mas todo este texto só serviu para trazer dúvidas e insegurança para algumas pessoas. Não sou “curandeiro” porém acho que todos tem capacidade em tornar-se empreendedores, basta uma boa idéia e dedicação. Acredito que muitos não se “atrevem” a tal desafio em função de textos iguais a este que você acaba de escrever. Sinceramente não acrescentou em nada para o desenvolvimento do País e das Pessoas.
    Abs,
    Alexandre Silva

  • Vitorino, fico muito feliz por ler este seu texto. É inacreditável a quantidade de jovens que estão saindo da faculdade diretamente para o próprio negócio sem nenhuma experiência de mercado.
    Até 1980 a família desejava e influenciava os filhos para o mercado onde pegavam anos de experiência. Com o tempo assumiam o negócio da família e se tornavam bem sucedidas distribuindo a felicidade entre os familiares e a comunidade. Depois de 1990 este comportamento mudou e, no ímpeto de ajudar o filho a realizar um sonho, as famílias estão colocando a perder anos de poupança construída para a subsistência na velhice.
    Para ajudar a reverter isso penso que todas as escolas de Ensino Médio e faculdades deveriam oferecer a discilina de empreendedorismo com ênfase nas verdadeiras ferramentas que podem colaborar no sucesso do futuro empreendedor mesmo porque esse indivíduo poderá utilizar os conhecimento como funcionário diferenciado em uma empresa em vez de arriscar em uma aventura.
    Estou certo de que se esses jovens tivessem a verdadeira noção das dificuldades que vão enfentar tenderão a pensar duas vezes.
    É isso. Por enquanto.

  • O mesmo acontece nas artes. É possível (acredite se quiser) a pessoa desenvolver talento artístico através de muita prática e estudo. Acredito que o mesmo aconteça com empreendedores, já dizia a famosa frase de Einstein “A chave para o sucesso é 10% de inspiração e 90% de transpiração”, e brasileiros sabem transpirar!

  • Só pra complementar o que o Peixoto falou, é importante ressaltar que o empreendedor não é simplesmente um aventureiro que cria sua empresa do nada apostando cegamente. Pelo contrário, a arte de empreender é também a de se correr riscos calculados, pensados, planejados.

    • Exatamente. O empreendedor é um planejador por excelência! Os aventureiros não sobrevivem tempo suficiente para criar história e muito menos para contá-las.

  • O empreendedor é um ser social, produto do meio em que vive (época e lugar). Se uma pessoa vive em um ambiente em que ser empreendedor é visto como algo positivo, então terá mais motivação para criar o seu próprio negócio; empreendedores que nascem prontos, não é por razões genéticas, mas sim porque o nível de ralações o influênciou. Empreender é uma arte que todos possuem capacidades suficientes para exercê-la; mas são textos como, este que às levam acreditar que são incapazes de abrir um negócio e sobreviver às exigências do mercado.

  • Acho que o texto pega pesado demias. É certo que existem diferenças entre as pessoas, suas capacidades e níveis de aspiração, mas dai a dizer que existem “casos perdidos” é pegar muito pesado.

    Como a Polyana disse no comentário acima, esse tipo de posicionamento só serve para desistimular os novos empreendedores.

    Sou a favor de um posicionamento realista e otimista em relação a novas idéias e projetos. Nos treinamentos que realizo no Curso de E-Commerce sempre coloco a questão da capacidade de superação como uma peça chave para qualquer projeto.

  • Imagino como se sentiria uma pessoa que fosse reprovada num teste de “aptidão empreendedora”. Acho que esse conceito “empreendedor de nascimento, ou de meio ambiente” seria destruir a motivação de alguém que por um equivoco possa ser taxado de incapaz.
    Francamente, eu espero ser bem sucedido no meu negocio e não perder a oportunidade caso encontre mercado bom e um colaborador ambicioso, que eu não precise fazer um texto desse jamais na minha vida.
    Acho que todos deveriam ter o direito de errar e acertar sem precisar passar por uma afronta assim.

  • Você tem razão, mas também não tem razão. Realmente existem muitas empresas que quebram, e os “empreendedores” entram em depressão. E daí? Trabalhar em uma empresa grande é sinônimo de alguma segurança? Em empresas grandes tbm existem crises. E nas crises existem os cortes de pessoas. Na china varias pessoas trabalham “em grandes empresas montadoras de produtos apple e microsoft”, e se matam. Acho que a primordial diferença é a capacidade da pessoa se conhecer. Ter a vontade de ser empreendedor não significa nada, se não ter a capacidade de executar. Iqualmente essa geração Y (que me incluo) que querem subir de carreira rapido, mas que poucos tem capacidade disso. Ou seja, o resto são todos mongolóides naquela área especifica que buscam a “ascensão rapida de carreira”.

    O meu comentário se resume em uma propria passagem de seu texto: “Qualquer idiota pode ter uma boa ideia, mas apenas algumas mentes brilhantes possuem a capacidade para estabelecer um negócio lucrativo”.

  • Um site de empreendedorismo desmotivando o empreendedorismo…haha…O site passou nesse exatamente momento a ser um exemplo de “empreendedorismo furado”

    • Olá Fábio

      Talvez você não tenha entendido. O site não desestimula de maneira alguma o empreendedorismo e sim apresenta opiniões para que possam ser discutidas. Não por outra razão que este artigo já tem dezenas de comentários.

      Ter um espaço aberto para a discussão de pontos de vista é necessário para o desenvolvimento de qualquer empreendimento ou movimento empresarial, e é essa a nossa proposta.

      Um grande abraço

      Equipe de Editorial

  • Concordo parcialmente. Acredito, sim, que se possa estimular o desenvolvimento da característica de empreendedor, quanto mais se se utilizar de um argumento como a obrigar uma pessoa a o desenvolver. Quantos pianistas exímios foram obrigados a o ser? Eu mesmo possuo muitos dons que fui obrigado a desenvolver e muitos deles me viro bem! rs rs

    Sinceramente, achei o texto defensivo, como que a se proteger dessas idéias que avançam: estimular o desenvolvimento em empreendedorismo de pessoas comuns. Acredito e procuro tomar esta postura de que devemos fazer esta aposta de tentar fazer as pessoas acreditarem em si e fazerem melhor de suas vidas. Do contrário vamos continuar pagando para ver os poucos empresários bem-sucedidos da mídia brasileira desfilando suas bem-aventuranças, conseguidas sabe-se lá se realmente à custa de um “dom natural” para o negócio, em detrimento à subserviência da gente que os assistem.

    Mas, bola pra frente, é só um ponto de vista! Não estou em total desacordo com o que está escrito! É importante esta declaração também!

  • Muito legal seu post, porem não concordo nem um pouco com seu texto. Acho que talento esta linkado a dedicação, estudo, paixão e vontade de dar certo.

    Você acha que um Ronaldo da vida seria o que ele é sem treinos, sem gostar do que faz, etc? Simplesmente aos 10 anos sem nunca ter tocado numa bola ele iria entrar em campo e arrasar?

    Hj possuo 02 empresas e nascemos dentro de uma incubadora de empresas de tecnologia, e pelo que percebi o que falta nas pessoas para começarem um negocio é a base de planejamento e de conhecimento financeiro, topicos muito fortes de estudos nas incubadoras de empresas de Brasil.

    Tem um livro sobre empreendedorismo do Bizzoto que comenta esses números, muito bom de ser lido.

    O grande problema é a mentalidade das pessoas em ter foco no produto e não no mercado, fator crucial para o sucesso hoje de uma empresa.

    Abraços.

    @heidorn

  • Muito bom o texto.

    Acho que vale mencionar que muitas vezes o talento não nasce na pessoa. É como Einstein que muito sabiamente proclamava que não era mais inteligente que ninguém, apenas mais curioso, muito mais.

    Este talento é, geralmente, 10% inspiração e 90% transpiração. Fora alguns gênios como Steve Jobs, Bill Gates, temos pessoas que correram atrás mesmo quando todos estavam contra. O empreendedorismo é muito mais garra que talento. Infelizmente, a maioria das pessoas não tem garra para continuar depois do primeiro fracasso. Pois, possivelmente, até a vitória, vários fracassos vão ocorrer. Poucos dão sorte como o Zuckerberg. Mas provavelmente ele trabalha muito para manter e crescer mais e mais a cada dia.

    Então, é interessante ver que além de um empreendedor ter que ter habilidades como a de gestão de pessoas e visão de negócios, ele tem que trabalhar muito, pois de nada vale uma grande idéia sem uma boa implementação.

  • Discordo que tanto futebol quanto empreender seja uma questão de talento.

    Existem inúmeros craques de futebol que não são abençoados de talento de jogar bola, e sim do talento de treinar e sempre aprender. Jogadores como Beckham, Mathaus, Gamarra, etc conseguiram ser reconhecidos como craques após treinarem muito até chegarem a quase perfeição em diversos fundamentos, mesmo não possuindo a habilidade e a técnica natural de jogadores como Zidane, Ronaldinhos e Neymar.

    A mesma coisa vale para quem quer empreender. Muito estudo, busca de conhecimento na prática e vontade de trabalhar podem tornar uma pessoa sem veia para empreendedorismo um bom empreendedor.

    A falta de dom pode ser superada com muito aprendizado, estudo e trabalho. Para mim, tudo é muito mais uma questão de sonho e batalha para atingir o objetivo do que uma questão de dom.

    Abraços.

  • Muito obrigado, mas não vou aceitar suas palavras.
    Em 10 anos de empreendedorismo já ouvi e li muitas coisas nesses sentido. Porém, minha força de vontade, minha confiança jamais me abateram, mesmo nos momentos de dificuldade.
    Talvez muitas dessas pessoas que desistem ou desistiram, o fizeram por acreditar em “profetas do apocalipse” , só enchergam o lado negativo das iniciativas. Talvez seja um tipo de miopia, que não permite que ao menos tentem, arrisquem, lutem pelo seus sonhos.

  • Interessante a visão do autor, parcialmente certa ao meu ver. Todo tipo de empreendimento (não falo só de empresa) deve ser colocado em prática com responsabilidade, acima de tudo.

    Como resultado, supondo que o autor esteja absolutamente certo, a maioria das pessoas deveria mesmo é trabalhar para os outros e agir de forma mais “passiva” com relação aos seus sonhos, certo?

    Me desculpe, mas prefiro o turbilhão de emoções presentes no planejamento, no risco, nos ganhos e nas perdas de um novo empreendimento à virar um boi, pastando em benefício dos interessados.

    Pensando bem, concordo em muito com o autor, principalmente quando se refere aos “piro maníacos”. Mas acima de tudo acredito que os empreendedores é que resolvem os problemas do mundo, como muito bem fala o Ricardo Jordão. Ponto final.

  • Eu achei sensacional o artigo pelo fato de estar fundamentado em dados concretos, pesquisas e acompanhamento.
    A questão de talento é complexa mesmo, tão complexa que conheço gente extremamente talentosa no que faz mas não consegue ganhar dinheiro, e gente incompetente que faz muita porcaria que ganha muito dinheiro. Sem entrar no mérito da questão, fato é que fazer o que gosta é uma coisa, gerenciar, administrar é outra. Então você tem de ser 2X talentoso(a). Polivalente.
    Na década de 90 dei entrevista no Bom Dia Alagoas (Globo) e na época muita gente aderindo aos planos de demissão voluntária e já histórias de gente que perdeu tudo tentando esse “milagre” do empreendedorismo. Precisavam de cursos a começar por dizer que receita não é lucro.

  • Vitorino, polêmico o seu post, mas Não concordo!

    Pois tudo que fazemos na vida depende de treinamento e dedicação. Imagine um palestrante que dá sua primeira palestra por mais que ele tenha o dom para isto ele vai errar em alguma coisa, só o tempo, a dedicação, a busca incansável para se tornar melhor vai fazer com que ele seja um excelente palestrante e até crie o seu próprio estilo.

    Empreender não é diferente! Vocação ajuda, mas não é tudo. O grande segredo é não ter medo de errar. Ninguém precisa fazer um monte de cursos ou herdar genéticamente o dom de empreender, isto na verdade é o que a sociedade quer, colocar inúmeros limites para que as pessoas desistam e não façam parte da pequena minoria da população que detêm a grande fatia da riqueza deste país.

    Conselho a todos, não tenham medo de colocar suas ideias em prática, quem chegou até este post com certeza não é um amador e muito menos irresponsável e sim uma pessoa que quer fazer a diferença. Estou cercado de exemplos assim, de motoristas de ônibus que hoje são donos de frota de fretamento executivo à desenvolvedores recém saídos de universidade com empresas no exterior.

  • Eu também concordo parcialmente.

    Discordo da redação, por exemplo, quando sugere num dos comentários que o empreendedor está para o sucesso e o “aventureiro” está para o fracasso.

    Empreendedores também podem fracassar e é preciso aceitar isso para que se possa seguir em frente, consciente dos riscos e com responsabilidade. Para mim, empreender é mais do que simplesmente criar um negócio e ter sucesso com ele. É um traço de personalidade. É ter impulso criativo para realizar coisas. Se eu fracasso num primeiro empreendimento, eu devo dizer a mim mesmo “sou um aventureiro” e que não devo continuar ou tentar outro projeto?

    Enfim, essa questão é controversa, porém muito importante. Valeu por tê-la colocado em pauta para a discussão.

    Para quem quiser se aprofundar, eu recomendo a leitura do excelente “O livro negro do empreendedor”, do espanhol Fernando Trías de Bes, o qual afirma em sua obra que: “empreender é uma forma de enfrentar o mundo, uma maneira de entender a vida com a qual nem todo mundo se sente à vontade”.

  • Existem duas formas básicas de se partir para o empreendedorismo, a primeira refere-se ao empreendedorismo pela necessidade que faz uma pessoa desistir de procurar um novo emprego para dar início ao próprio negócio sendo o principal motivo dos altos índices de falência, pois esse tipo de empresário dispõe de muita habilidade técnica, mas pouca estratégica. Precisamos sim incentivar o empreendedorismo de oportunidade pois é através dele que se gera desenvolvimento e novos empregos para que as pessoas que não tem perfil de empreendedor possam ter mais oportunidades de exercer suas funções com salários dígnos, diminuindo os empreendedores por necessidade. Esse é o ciclo.

  • O problema com o brasil é que os inteligentes estudam para concurso em vez de lançar um negócio seu. Os custos para abrir e fechar firma são em torno de R$3.000 no RJ, enquanto nos EUA são de R$500.

    Abrir uma firma e fechar no próximo ano é pior de que trabalhar para uma renda miséria? Porque essa é a situação atual no país, criado por um setor público inchado, a CLT que é exigente demais, e a mentalidade de que falhar uma vez é irreparável.

    Arriscem-se!

  • Talento é igual a uma pedra de diamante. Você quando encontra uma, que é muito difícil, identifica como algo valioso, visualiza a dimensão das possibilidades que ela pode lhe dar, e depois parte para a ação, vai buscar um especialista na área para lapidá-la e colocá-la no mercado, lhe proporcionando bons resultados.
    Empreendedorismo é a mesma coisa, você enxerga uma oportunidade, que não é nada fácil, identifica como algo valiosíssimo, que não quer contar nem para sua mãe com medo dela roubar-lhe a ideia, visualiza o tamanho do negócio que esta oportunidade pode alcançar, e depois parte pra ação buscando informações com consultores bem qualificados, analisando a viabilidade do retorno, a médio e longo prazo que o mercado pode lhe oferecer. Quando você incorporar tudo isto, pode dizer então: “Eu sou um empreendedor talentoso”.

  • Costumo dizer que o sucesso é a soma de esforço e talento. Nem só esforço, nem só talento. Vale para música, artes, ciências exatas, comunicação… e não é diferente no empreendedorismo. Muitos tentam, pouquíssimos se dão bem. Poucas pessoas possuem a capacidade de planejamento, adaptação ao mercado, correr riscos calculados, etc…

  • Caro Vitorino

    Não acredito que esse artigo desmotive o empreendorismo, mas sim alerta sobre as coisas não ditas. É preciso falar abertamente, não só sobre os louros, mas sobre as dificuldades dessa vida cheia de desafios e que exigem não só uma boa ideia, mas uma excelente equipe e muita perseveranca.

    Parabéns pelo artigo e pelo debate!

    Abs
    Flávia

  • Atuando como instrutor e professor em Cursos de capacitação e profissionalização por + 10 anos, observei o fluxo de alunos por turno e fiz as contas em média 20 alunos por turma 20 x 400,00 = 8 mil x 3 turnos = 24 mil mensal isto é o minimo. A partir dai criei a ideia de montar Franquia, isto porque todos os materiais e conteúdos são de minha autoria. Gostaria de saber de comentários sobre este evento, pode ser via e-mail: tra3us@yahoo.com.br ou vitorcarlos6743@hotmail.com – Estou no RJ.
    Obrigado

  • Nem mente brilhante gera negócio lucrativo se não tem estabelecido uma rede que trabalhe a favor disso.

  • Vitorino, seu post conseguiu o que queria… Ser Polêmico!!! “Apenas” O indivíduo não nasce empreendedor, e sim o empreendedor nasce dentro do indivíduo! Seu ponto de vista não ajuda em nada o empreendedorismo no Brasil! O empreendedor está baseado no aprendizado, na experiência empresarial e até o fracasso enriquece o empreendedor. A eliminação de riscos e perdas faz parte da cultura empreendedora e seu ponto de vista não é nada empreendedor!

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